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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Eu sou uma brasileira bem drogada. Você também não é?


Estou há dias para soltar esse post. Vou aproveitar que bateram no Frejat pelo assunto e vou esclarecer a minha opinião:

Sou a favor da legalização de drogas, hoje ilícitas no Brasil? Não! Não mesmo e meus amigos íntimos que conhecem todo e qualquer “podre” meu sabem que é verdade! O que uso, usei ou vou usar, não deve refletir na minha posição POLÍTICA! Não permito  que reflita.

Uso drogas? SIM! Como a maioria do brasileiro. “Como assim? Sua drogada! Eu não sou uma drogada como você!!!”. Tem certeza? E o anticoncepcional que você engole bonita e sorridente todo dia? Não se chama DROGA, também?

Viva a grande hipocrisia empresarial brasileira!

O Frejat tem razão? Não acho, de todo. Ele está, ao que me parece, com a idéia do tipo do Fernando Henrique Cardoso, que eu acho romantismo puro, de que a força policial brasileira vai se concentrar melhor no combate ao grande traficante, se puder se preocupar menos com o pequeno usuário (e este merece só tratamento). Discordo e ouvi um grande argumento do candidato à prefeitura do Rio pelo PSDB, Otavio Leite, que disse “se o produtor PUDER plantar maconha, ele vai preferir plantar maconha ou arroz? Acho que maconha dá mais dinheiro, não?” ...algo assim. Peço desculpas ao candidato se não foi isso, mas eu apenas ouvi e não anotei. Fato é que Brasil não é Holanda! E ele tem toda razão em argumentar que se a maconha for liberada neste país, vai virar um “samba do crioulo doido”. Nesse ponto, nosso problema não é químico, é educacional.

O que eu vejo de mais “podre” nessa história toda? A minha gaveta!
Eu tenho em casa, de maneira LEGAL, com apoio Constitucional, material suficiente para matar de overdose de drogas uma manada de elefantes! Como? Simples! Comprei na farmácia, como sugeriu Frejat que seja feito com maconha e cocaína. Algumas dessas drogas que tenho, inclusive, “dividem” ingredientes de suas fórmulas com esses vilões que conhecemos por serem ilegais. Tem Químico lendo esse post? Vai saber que não estou mentindo! Farmacêutico? Médico? Quem vai me contrariar com base científica? Duvido! Sou paciente psiquiátrica há 15 anos e meu médico não mora comigo nem me filma durante as 24 horas do dia, para saber se tudo que já me foi receitado ao longo desses anos, foi tomado da maneira correta e por mim. Como garantir? E de posse disso, eu já poderia ter me tornado uma traficante de medicamentos há muito! Só a quantidade de amigos que já me pediu comprimidos de Rivotril (benzodiazepínico, tarja preta, pode causar vício....e daí?) já fica incontável com meus 20 dedinhos! São criminosos, meus amigos? Pela nossa lei, não! E se eles tivessem me pedido, em vez de Rivotril, dois gramas de maconha, cada um?

Tem alguém disposto a falar sobre bebida alcoólica? Tão legal quanto a mortífera nicotina, em nosso Brasil? Alguém conhece, baseado em pesquisas científicas, qual a substância mais viciante do MUNDO? Como viciada que sou, informo: NICOTINA! Ninguém ganhou dela até hoje, no nível de desespero detectado nos ratinhos cobaias. Mas essa eu compro aqui na porta de casa, com respaldo governamental. Álcool, então! Restaurante usa na culinária sem nem avisar e fica tudo bem! Mas tem uma tributação absurda em cima! Então pode.

Quantas famílias você conhece, que foram verdadeiramente destruídas por conta do vício por bebidas alcoólicas? Essa conta é assustadora! Nunca escutei de ninguém a resposta “nenhuma”. NUNCA! Mas beber, no Brasil, pode e tem até marketing para estimular!

Meu pai? Morreu de fumar. Meu tio? Morreu de beber. Meu sogro? Morreu de fumar. Meu tio materno, morreu de beber. Meu vizinho? Morreu de fumar. O pai do porteiro? Morreu de beber...

Eu conheço, você conhece, seu parceiro conhece, seu amigo conhece....todos nós conhecemos tragédias imensas intensificadas pelo uso de álcool (chega de cigarro, nesse post). Quantas ocorrências policiais o álcool produz? Em casa, porque bebeu e ficou violento com os filhos, no trânsito, porque bebeu e dirigiu, nas ruas, porque bebeu e quebrou o bar...

“Tem razão! Então legaliza tudo”. Tá! Mas como eu disse anteriormente, Brasil não é Holanda! E se você acha que a Holanda é um super país desenvolvido que, por acaso, deixa acontecer um “oba-oba geral alucinógeno” pelas ruas, está redondamente enganado quanto à segunda parte!
Por que Amsterdam (não Holanda inteira! As portas se fecharam e quem mantem a venda para turistas é a capital, apenas)  vende maconha legalmente? A California? A Austrália? O recente Uruguai?
Simples: cultura! Que louva a Educação e o respeito ao próximo. Vamos conseguir no Brasil? Acho mais fácil eu me transformar numa lagartixa.

Nesses lugares, existe controle sério estatal sobre onde se planta, quanto se planta, como se planta e se trabalha com, quem distribui, quem vende e quem consome. A população também colabora, e na falta de força policial, vai ela esclarecer e reclamar para o desavisado que aquilo ali não é “casa de mãe Joana” e que não se pode acender seu baseadinho no meio da praça cercado de criancinhas. E se o brasileiro se deparar com uma cena de um ilegal de baseado aceso no meio de uma pracinha com quinze criancinhas em volta? Se conseguir enxergar, vai passar reto. Se não for usuário, vai sair reclamando para si mesmo. Se for, não vai nem achar ruim! Mas alguém vai ter “peito” para abordar o usuário e dizer que está chocado com aquela contravenção no meio da rua, sem qualquer pudor? Os 10% da população que me acompanham sendo chamados de “sem noção” ou “loucos” por defenderem sozinhos seus direitos, talvez reclamem e aguentem as consequências sozinhos.  O resto, prefere “ não se aborrecer”!

Eu usei aspas para “não se aborrecer”, porque a frase que ando escutando com frequência, para justificar um comportamento pusilânime comum, é “eu não quero me aborrecer!”. Você não se aborrece, mas o resto do mundo quebra essa para você!

Esses lugares que citei, onde o uso de canabis sativa, ou maconha, é legal até certo ponto, são lugares com centenas de anos de cultura diferente da nossa. Grande parte da ordem pública desses lugares, é mantida com o cuidado da própria população. Em contrapartida, no Brasil, só não se faz se for ilegal e se tiver perigo da polícia pegar. Caso contrário, não interessa se é certo ou errado, mas se ninguém capaz de punir estiver por perto, a população VAI fazer!

Já estacionou em local proibido, sabendo que era proibido? Já entrou numa rua e percebeu que era proibido entrar ali com seu carro, mas continuou indo? Já pendurou uma toalha na varanda do seu apartamento, mesmo com o estatuto do condomínio te pedindo para não fazer isso, porque seus vizinhos todos penduram e você cansou de ser educado sozinho? Então! Aqui, basta o primeiro fazer a “caquinha” e, precedente aberto, vamos correndo burlar as leis! Nessas circunstâncias, é que digo que acho mais fácil eu me transformar em lagartixa do que termos organização para o consumo e trânsito de drogas alucinógenas.

Só que, já que quase tudo é proibido, gostaria muito que o brasileiro acordasse para a grande hipocrisia: você bebe sua cervejinha? Então não reclame do mal à saúde que faz o baseadinho ilegal do outro! Não é porque não interessa aos nossos líderes liberar um e proibir o outro, que você está sendo um bom cidadão evitando o ilegal! Você está jogando o jogo dos manipuladores com péssimas intenções, achando que está livre de culpa. Se tomar UMA atitude que te cause arrependimento e achar de justificar que foi a bebida que te levou a isso, você é pior do que o maconheiro que escondeu o baseado na cueca: ele teve vergonha e disfarçou! Você arrumou uma desculpa porca!

Se o médico receita um medicamento que pode causar vício e alucina e isso é legal, não pode o mesmo médico receitar uma substância viciante e alucinógena, só que não legalizada e não tributada e comissionada pelos grandes laboratórios? Será que não tem dedo de laboratório farmacêutico nessa conta, também?

Sempre pensando nas grandes conspirações,

Filhinha de Papai



quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Não quero site!


Ontem eu, finalmente, desisti de usar o domínio que registrei, pensando em colocar no ar um site, bonito, com cara de profissional, sob meu nome. Registrei o domínio, paguei a anuidade por isso (30 reais! Nem morri), mas já que é meu e eu posso não usar, vai ficar sem ser usado até, pelo menos, o dia 07/10.

Por que?

Não estou disposta a ser a candidata “zero custo de campanha”? Tenho que pensar nos valores agregados ou indiretos, também!

Eu sei programar um site e colocá-lo devidamente no ar? Não! Se eu não sei, então, vou precisar de ajuda. A ajuda custa? No meu caso, não custa dinheiro meu. Meu irmão mais velho é profissional da área. Poderia perfeitamente me fazer o favor, e está disposto a isso. 
Entretanto, meu irmão precisa trabalhar para ganhar seu pão de cada dia, não mergulha em piscinas cheias de notas de cem reais e precisa do tempo DELE para ganhar o sustento DELE. Se eu precisar ele me ajuda? SEMPRE! Este irmão nunca falhou nesse quesito, nunca me deixou sozinha quando ele poderia ter ajudado, nunca deixou de me apoiar na vida. Mas eu PRECISO dum site no ar? Acho que não! Eu tenho este blog.

Em vez de tirar a concentração do meu amado irmão de cima do importante trabalho dele, se eu quero apenas apresentar o que tenho como propostas, se eleita vereadora pela cidade do Rio de Janeiro, eu posso usar este espaço, sobre o qual eu tenho domínio sozinha.

Não vamos ter, então, pelo menos até o dia 07/10/2012, na internet disponível para todos, o conteúdo que constaria da página www.karinagarbin.com.br. Mas é só por isso que expliquei acima!

A partir de hoje, então, postarei minhas propostas políticas para a cidade do Rio de Janeiro, lembrando sempre até onde um vereador pode ir (no âmbito municipal, sem megalomania falsa), tentando não pensar como um faraó, mas apenas como cidadã que vive os mesmos problemas que qualquer outro cidadão, nessa cidade linda e caótica!

Conto com paciência, uma vez que ainda estou me entendendo com aquele “moço bonito” chamado “Tempo”!

Com lerdas letras,

Filhinha de Papai

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Muro das Lamentações


Tenho falado em minha “TL” no Twitter que o “muro das lamentações”, que segundo nos consta fica em Jerusalém, mudou-se para minha caixa de entrada de campanha. Expliquemos.

Candidata, recebo e-mails no meu endereço público, o eusoukarina@gmail.com , com todas as informações que preciso para a campanha. Exclusividade minha? Claro que não! Todos os candidatos que informaram endereço, recebem juntos as mesmas informações.

Um dia, um dos meus “companheiros de quarto escalão” (explicarei o termo mais adiante) aproveitou o fato de todos nós recebermos os mesmos e-mails, e resolveu abrir seu coração magoado por campanha. Está formado, então, o “muro das lamentações” da minha caixa de entrada.

O primeiro candidato, o que teve a idéia de protestar, abriu o precedente. Depois dele, veio o resto, tão magoado quanto. Por que?

A vida partidária é uma coisa interessante. Descobrimos em meia dúzia de reuniões como é que a coisa toda funciona. Mas tem quem não compareça às reuniões e não entenda como é que a teoria é aplicada na prática. Aplicando, fica assim:

Os candidatos são divididos em “escalões” . Do primeiro até, em nosso caso, no PSDB daqui, o quarto. Levando em conta critérios como popularidade, mandato e DINHEIRO! Claro, afinal, eu já demonstrei que esse último item citado manda em tudo.

Os primeiros a ganharem apoio, material de campanha, tempo de TV, tempo em rádio e todos os demais itens da lista “o que o partido vai me dar”, são os que já tiveram ou ainda têm algum cargo.Os empossados ou ex-empossados, que contam com a popularidade, dinheiro e apoio de pessoas com recursos.
O segundo “escalão”, é composto por candidatos que também possuem apoio financeiro, apesar de não serem ainda políticos conhecidos. Têm “potencial”.

O terceiro é composto por políticos não reconhecidos, mas que possuem vontade e capacidade de captar grande quantidade de recursos financeiros (grande quantidade não é trocado, hein! Vamos sempre começar a falar na casa das centenas de milhares de reais) e possuem algum eleitorado significativo que contribua com a legenda.

O quarto, então, é composto pelo resto. Resto que pode ser de gente que ACHA que tem capacidade para ser eleita, mas que aos olhos do partido não tem. E não tem mesmo! Pessoas que nunca foram eleitas e que não contam com garantias de recursos financeiros. O “quarto escalão” reúne as pessoas que estão praticamente sozinhas, que entraram na chapa porque fazem alguma diferença ou barulho na política, mas que não possuem base eleitoral, recursos financeiros ou influência sobre quantidade grande de pessoas.
Da chapa de mais de setenta candidatos a vereança, apenas uns cinco fazem parte do primeiro escalão. O segundo é maior, o terceiro maior ainda e o quarto é o grande desse ano, porque o PSDB carioca está sem nomes famosos para esta eleição. Onde deveria, inclusive, funcionar o “primeiro escalão”, está tudo fragmentado, com quadros partidários até eleitos apoiando candidatos de outras coligações ou partidos. Eis que nessas eleições a grande maioria da chapa de candidatos a vereador pelo PSDB carioca, é “ninguém”, tipo eu!

Preciso deixar claro que ao apelidar a situação de “muro das lamentações”, minha intenção não é desmerecer ou tirar humor da situação desses candidatos magoados. Não é isso. O lamento é meu também, por perceber quanta gente enganada e iludida entra nesse tipo de empreitada.

No dia 21 de Agosto deste ano, então, começou a veiculação em televisão dos programas eleitorais. Todos os candidatos da chapa tiveram a oferta de gravar doze segundos de declaração, para ser inserida no programa eleitoral do partido. Vereadores são inseridos em Rede Nacional, pelas regras, dia sim, dia não. Ao recebermos a oferta de gravar doze segundos, muitos candidatos acharam que seus doze seriam iguais aos doze de qualquer um. Não é assim, é óbvio! Óbvio para mim, obviamente.

Primeiro dia de propaganda, os candidatos que eu já sabia que são do “primeiro escalão” apareceram. Do segundo também. Entre eles, um senhor cujo talento mais interessante é ter sido jogador de futebol pelo time mais popular do Rio de Janeiro. “Mas ele não sabe falar!!” , disseram. E daí? Quem disse que na política, hoje, interessa se o cidadão está preparado tecnicamente para assumir o cargo ou não? E se analisarmos, todos, TODOS os partidos políticos funcionam assim. Não venham me contestar dizendo que é diferente em partido pequeno. Só é diferente em relação realmente ao tamanho de cada partido, mas todos funcionam no mesmo raciocício nesse quesito.

Armada a confusão, começa a troca de e-mails que anunciei acima. Uns reclamam dos méritos dos outros, outros reclamam apenas da própria situação, mas a reclamação é geral. Uma série de candidatos “pequenos” desiludidos porque foi criada expectativa. Muita expectativa, em cima desses encantados doze segundos.

Eu, sinceramente, já havia aberto mão de meus doze, sabendo que não teria inserções, porque continuo fazendo campanha contra campanha, não saí uma única vez para fazer campanha em pról de nada nem de ninguém depois do dia 07 de Julho deste ano (claro que converso e peço votos para Otavio Leite, porque eu mesma gosto dele) e, o que mais me dá prazer, minha obrigatória conta bancária de candidata continua partindo de zero, passando por zero, terminando em zero reais! No fim, tivemos mais uma chamada para gravação, num dia em que eu estava completamente livre (domingo, início de Agosto) e eu gravei meus doze segundos. Mas não gerei expectativa para ninguém, porque já tinha entendido o processo. Entrei porque eu quis, sabendo de tudo isso.

Questiono, então, o que é que foi dito, passado, esclarecido e discutido com os candidatos integrantes do grupo de e-mails. Tinham esperança de que na distribuição do horário eleitoral o mundo fosse voltar a girar no sentido certo, ignorando o que manda hoje em dia que é o poder econômico e tudo o que gira em torno de conseguí-lo, para garantir igualdade social na televisão?

No meio das reclamações, conseguimos ainda ver o lado bonito das situações tristes e alguns começaram a tentar motivar uns aos outros, até com o apoio bíblico. Mas eu, sinceramente, acho que Deus não tem nada a ver com eleições. Se tivesse, provavelmente uma série de excomungados morais não estaria empossado.  Mais para frente vou comentar o que penso a respeito da mistura de religião com política nesse país.

Depois ainda tem uma grande maioria me perguntando sobre meu posicionamento. Sendo claros, eu não estaria candidata, muito provavelmente, se não fosse outra idiotice estimuladora do preconceito em nossa nação, chamada “cota para mulheres”. Eu sirvo ao partido levando comigo os candidatos “reais” da chapa e o partido me serve auxiliando em tudo para minha candidatura e fornecendo material. Relação amorosa sincera: ninguém se ilude e vivemos felizes para sempre. Mas se existe esse critério de cotas por gênero, ainda tinha candidato acreditando em igualdade social na distribuição do horário eleitoral?

Como eu sempre digo e peço: basta parar um pouquinho para ligar uns pontinhos. Deixando os pontos soltos, é que se criam as frustradas expectativas e as ilusões inúteis.  Se querem mudar, fazer diferente, só existe um caminho e este é lutar para mudar o sistema! Simples!

Parar de ficar acreditando nas boas intenções do mundo e começar a colocar realmente em prática as nossas, pode ser o caminho para a mudança que precisamos fazer para salvar as próximas gerações. Quero, com isso tudo, apenas que as pessoas parem um pouco para pensar!

Raciocinando ainda,

Filhinha de Papai

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Quanto dinheiro...!


Quanto custa uma campanha eleitoral?

Depende! Custa muito, em vários sentidos. Mas custa muito DINHEIRO, hoje em dia, principalmente, e esse é o meu grande problema com a “coisa” toda!

Já falei, avisei, falei de novo, mas para quem chegou agora, aviso novamente: estou candidata a uma vaga na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro. Por este motivo, estou aproveitando a campanha “sem fazer campanha” para fazer campanha por melhores campanhas. Entenderam? Não? Tudo bem! Basta acompanhar e tudo ficará explicado.

É possível fazer campanha sem dinheiro? Nos moldes atuais, não! Isso é interessante para o bem comum? Na minha opinião, nem um pouco!

“Poxa! Mas nem uma panfletagenzinha? Que mal há?” Nenhum, não fosse um problema meu de prioridades.

Continuo amargando dívidas e contas aqui em meu balanço particular, porque muita gente sabe que não preciso de estímulo financeiro para “colocar o bloco na rua”. Meu estímulo é o mesmo de todos: está tudo torto no Brasil e a população está assistindo a um festival de irregularidades com o nosso dinheiro. Nosso dinheiro tem pago viagem, bebida alcoólica caríssima, jatinho, curso no exterior para filho de empossado, passagem aérea para amante de ministro....nosso dinheiro anda pagando luxo para a base empossada, enquanto o brasileiro que sua para ganhar está com cada vez menos do dinheiro DELE. Eu pago a viagem de Sergio Cabral a Monte Carlo, mas eu mesma tenho o sonho de conhecer o local e não tenho condição financeira para isso. “Colocar o bloco na rua”, então, é apenas tentar conscientizar a massa do tanto de dinheiro que estamos jogando nas contas desse tipo de pilantra, enquanto passamos diversas necessidades mais básicas do que ir a Paris. E eu faço esse tipo de coisa desde que vim a este mundo já deturpado.

Desde antes de poder votar, eu já agitava pelas ruas pedindo justiça em vários âmbitos. Não mudei nem vou mudar em função de eleição. Mudo, sim, quando conseguirmos colocar pessoas decentes nos três poderes e pudermos dormir tranquilos sabendo que nossos REPRESENTANTES estão trabalhando POR NÓS, não pelos bolsos e bem estares deles.

Diante disso, tenho ainda os resquícios dos gastos “mobilizados”. Sim, senhores, porque por mais bonita que seja minha causa, o dono da gráfica vai continuar me cobrando pelo adesivo. Vai continuar me cobrando pela cópia da cartilha explicativa. Vai continuar me cobrando a camiseta confeccionada para divulgar a causa....enfim, eu posso estar trabalhando de graça (não é de graça, uma vez que o benefício de um país melhor é meu também, mas vamos deixar assim), mas não posso contar com o fato de mais gente também não cobrar dinheiro por qualquer esforço.

“Bota dezinho aqui”, “bota cinquentinha ali”, a candidata aqui já acumulou algo aproximado a 60 mil reais (ao longo da vida toda, nem é muito) de “prejuízos” com ações sociais e de mobilização para tentar melhorias que só se realizarão com a participação massiva do contingente populacional. Independente dos resultados conseguidos com esse investimento, vem agora a minha questão: se eu pegasse esses mesmos 60 mil reais e investisse em me promover, eu não poderia aproveitar melhor esse dinheiro, uma vez que fica mais fácil me eleger e fazer MUITO quando estiver lá? Até poderia pensar nisso, se não fosse pura utopia.
Se eu pegar esses 60 mil (que não tenho) e investir em publicidade, posso ser eleita? Posso! Mas não vou! Esses 60 mil e nada, eleitoralmente falando, são quase a mesma coisa. É! Dinheiro demais para uns, nem trocadinho de chiclete para outros.

Quanto custa, então, uma campanha eleitoral? De novo, depende muito, mas para eleger efetivamente o cidadão? Muito mais do que os 60 mil. Vou colar aqui, algumas “promoções” que recebi como candidata, de itens de campanha:
PLACA 1X1 -EM PLASTICO - 10.000 MILHEIRO
PLACA 1X1 EM LONA - CUSTO UNITÁRIO - R$ 17,50
PLACA 2X1 EM PLASTICO - 19.800,00 O MILHEIRO
PLACA 2X1 EM LONA - CUSTO UNITÁRIO 29,00
PLACA 2X2 EM LONA E QUADRO EM METALON - CUSTO UNITÁRIO - 95,00
ADESIVO PERFURADO - 17,00
PLOTAGEM DE VEÍCULO - R$ 330,00
TRIPE 2X2 EM LONA COM METALON - R$ 230,00
BONECO EM PS DO TAMANHO ORIGINAL DO CANDIDATO - R$ 140,00
BANDEIRA 90X140 - R$ 27,00

Só gráfica, aqui, hein. Teria que ser a parte mais barata (e é). Se um adesivo daqueles de vidro traseiro do carro custa esses trezentos e poucos reais, já conseguiram imaginar quanto não se paga por um filminho de um minuto na TV? Quanto se paga por um “showmício”? 
Andei cotando, há tempos (um ano, mais ou menos), cachê de artista musical para show de uma hora, em ambiente fechado, com o repertório do artista (sem qualquer exigência) e todas as mordomias como alimentação especial, toalhinha especial, isotônico especial que só se encontra na venda do Zezinho na curva do rio desconhecido dos cafundós da região Serrana e, mesmo que você dê TUDO que o artista exigir, para que ele toque uma hora em algum evento seu, o menor precinho que recebi foi 25 mil reais. Se tiver que falar o nome do político que está pagando, quem aceita ainda cobra bem mais caro.

Jingle? Custa dinheiro?
Site? Custa dinheiro?
Foto tratada?
Cabelo?
Maquiagem?
Pessoa para fingir que vota em você de graça e entregar seu panfleto... ?

Já escutei mais de quinze vezes, esse ano, que uma campanha custa um milhão. Eu, sinceramente, não sei o que É um milhão de reais! É mais dinheiro do que eu já tive contato na vida. Será que chega nessa cifra? Não sei se chegamos a gastar um milhão, mas pelos gastos que citei, dá, pelo menos, para perceber que com aqueles 60 mil não se faz muita coisa numa campanha eleitoral, correto?

Então como é que eu posso conceber a idéia de gastar esse tipo de quantia para tentar ser eleita, se eu já provei a mim mesma durante a vida toda, que há inúmeras maneiras melhores de se investir dinheiro? Se eu investir um milhão de reais em qualquer uma das causas que considero fundamentais para o desenvolvimento de nossa nação, essa causa não será muito mais bem sucedida do que a minha passagem pela Câmara dos Vereadores? Tudo bem! Podemos diminuir a cifra e deixá-la mais adequada à realidade da maioria: se eu pegar cem mil e decidir investir esses milhares de reais para me promover, não estarei deixando faltar alimento na mesa de alguém que está desempregado e batalhando há mais de um ano? Não estarei deixando crianças tristes por acharem que são ruins e não merecem ser visitadas pelo Papai Noel? Não estarei deixando de investir em saúde para todos? Educação para todos? Segurança para todos?

Se eu posso mandar confeccionar um panfleto dizendo “vote em mim porque eu tenho planos assim...”, não poderia mandar confeccionar a mesma quantidade de material para promover, por exemplo, a doação de medula óssea? Se eu investir em um adolescente genial, não será ele a descobrir a cura para a AIDS, por exemplo? Cem mil reais que não fazem muita diferença eleitoral, podem pagar uma graduação inteirinha em Medicina. É mais importante eu ser vereadora ou formar um médico?

“Discussão circular”, ou “você não vai a lugar nenhum com essa mentalidade no Brasil”? Pode ser! Mas eu prefiro circular ou viajar por águas que me deixam tranquila, do que fingir que o melhor investimento para o bem comum sou eu! Acho muita pretensão!

Ainda humilde,

Filhinha de Papai

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Campanha pode ser sem campanha?


Estou em campanha eleitoral. Estou?

Deveria estar, uma vez que estou candidata a um cargo de veradora pela cidade do Rio de Janeiro. Tenho sido duramente questionada por não estar distribuindo panfletos, afixando placas, divulgando incansavelmente minha carinha e propostas pelas Redes Sociais, saindo para ações de “corpo a corpo” ou mesmo divulgando que estou candidata entre aqueles que me conhecem como voluntária de ações sociais. 

Pois eu tenho, de acordo com os meus valores, motivos bons para justificar cada uma das minhas “faltas de ação”. Pode parecer falta, mas eu estou agindo, de maneira diferente.

- Por que não distribuir panfletos?
Porque você pode escrever vinte vezes naquele panfleto que gostaria que as pessoas, ao descartarem depois de ler, jogassem apenas nos lugares destinados a lixo, que elas vão continuar jogando grande parte deles nos chãos das ruas. Depois, além do problema visual, temos problemas com acúmulo de poluição e galerias entupidas, e o candidato vai poder dizer que não colaborou sujando? Na minha concepção, não vai!

- Por que não afixar placas?
Eu não me acho nem um pouco mais bonita ou interessante do que as paisagens da cidade. Eu, particularmente, prefiro andar pelas ruas vendo apenas o que faz parte daquilo, e não a carinha dos candidatos, gostando deles ou não, afixadas por todas as partes. Se eu prefiro a cidade sem as placas, como poderia me utilizar desse recurso para me promover? Não crie para os outros o incômodo que você não queria para você. Não é assim que as coisas funcionam de maneira mais agradável?

- Por que não divulgar incansavelmente minha carinha e propostas pelas Redes Sociais?
É verdade que eu acho que não temos o direito de não acompanhar política, uma vez que nosso voto ainda é obrigatório. Entretanto, para acompanhar política, não acho necessário abrir o seu Facebook e dar de cara com fotos e mais fotos e avatares, de candidatos que você nem gostaria de ter visto, porque aquele seu amigo que era apartidário até ontem, foi contratado por uma equipe de campanha e agora ganha para postar a foto do cara que você mais detesta na política nacional na sua Timeline (agora, com essa história de Timeline obrigatória do Facebook, tudo ficou mais exposto ainda). Muita gente ainda abomina qualquer menção ao assunto política, se colocada diante de seus olhos. Assim como eu tenho verdadeiro PAVOR de gente que usa Rede Social para tecer comentários sobre programas televisivos ridículos, mas não posso exigir que meus contatos sejam como eu.  Se o "BBB" e “A Fazenda” deles me incomodam, não é por isso que vou incomodar forçando política goela abaixo de quem se recusa.

- Por que não sair para ações de “corpo a corpo”?
Sou da opinião de que para que tenha uma proposta para assumir qualquer cargo político, o candidato precisa saber o que precisa fazer e o que pode ou não fazer, antes, muito antes de pensar em se candidatar. Ora, ideal não seria que fossem candidatos aqueles que tivessem reais propostas de mandato? Reais propostas de mandato não se constróem nessas visitas de candidatos a locais por eles ainda desconhecidos. É possível ouvir o eleitorado e ter idéias? Sim! Mas a base de sua candidatura tem que ser construída antes do seu registro como candidato. Então, durante a campanha, o trabalho é mesmo de divulgação, na verdade! Não de interação entre candidato e população. Essa, para mim, se faz todos os dias. As minhas propostas, por exemplo, não têm nada de regionais, então, como poderia visitar uma população  de um local específico que ainda nem conheço, e ser sincera ao dizer que vou fazer alguma coisa para aquela população daquele local específico? Parece demagogia, não?

- Por que não divulgar entre aqueles que me conhecem por meus trabalhos sociais?
Porque seria me aproveitar de atos que pratiquei porque o poder público não dá conta de atender às necessidades da população, para divulgar que quero entrar no poder público. Sinceramente? Eu não tenho capacidade (e duvido que qualquer candidato a vereador tenha) de dizer às pessoas beneficiadas por trabalhos de voluntários, que elas vão deixar de precisar de voluntários porque o poder público vai garantir suas necessidades. Não vai! Como eu posso garantir às crianças que já presenteei como voluntária de ação social, que elas vão ter pai e mãe com situação econômica melhor do que têm hoje? Como eu posso ter a pretensão, como vereadora, de garantir igualdade social e erradicação da pobreza? Isso é plano para anos de governo federal aliado ao estadual e municipal. Pode então, um vereador, se valer desse tipo de promessa e esperança? Não acho que sim.


Não! Eu não sou nenhuma espécie de ser humano modificado em laboratório que não pense muitas vezes no próprio benefício. Mas não achei, pelo menos até hoje, válido trair meus princípios colocados acima para garantir uma cadeira no poder. Ainda vou escrever mais sobre o dinheiro envolvido nesses processos, também. Por hora, esclareço que continuarei trabalhando pela melhora do Rio de Janeiro, empossada ou não, durante todos os dias de minha vida. Seria mais fácil trabalhar por isso se eleita? Sim! Sem dúvida. Mas minha paz de espírito estaria tão garantida, se assumisse que são meios para chegar onde gostaria? Nem tanto! Prefiro, se chegar, chegar do jeito que acho mais bonito, ou não chegar!

Agradecendo pelos muitos apoios que venho recebendo, mesmo com todos os obstáculos que acabei impondo à minha própria candidatura, e dizendo por isso que já venci,

Filhinha de Papai

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Voto nulo é remédio ou lenda?


Continuando pelo período eleitoral, quero falar sobre uma questão que vem à tona nas Redes Sociais todos os dias, além do que escuto pelas ruas: o voto nulo.

Discorre a lei eleitoral sobre o voto nulo, no artigo 224 da lei 4737/65, conforme segue:
“Art. 224. Se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do Estado nas eleições federais e estaduais ou do município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações e o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 (vinte) a 40 (quarenta) dias.
§ 1º Se o Tribunal Regional na área de sua competência, deixar de cumprir o disposto neste artigo, o Procurador Regional levará o fato ao conhecimento do Procurador Geral, que providenciará junto ao Tribunal Superior para que seja marcada imediatamente nova eleição.
§ 2º Ocorrendo qualquer dos casos previstos neste capítulo o Ministério Público promoverá, imediatamente a punição dos culpados.”

Problema no “front” número 1: já ouviram falar de Jurisprudência? Então! Ela é um dos mecanismos que faz parte dos fundamentos da decisão jurídica. E um dia, o TSE acabou decidindo por uma interpretação da lei acima, que não mais deixa margem para que tentemos usar o voto nulo! A nulidade compreendida pelo TSE é por FRAUDE! Então, olho vivo! Para que você anule efetivamente seu voto, é preciso que você vote num candidato IMPEDIDO!

Sim, senhores! Prometo que é assim que funciona e qualquer um que utilizar o “tio Google” com cuidado vai perceber que estou certa. Não é legal confiar no seu amigo do Facebook. Mas você pode consultar os processos, as decisões do TSE e a Lei 4737/65 e ligar seus pontinhos.

Ainda no Facebook, um primo, tentando me contrariar sobre este assunto, postou a seguinte informação:
“I - deve o Tribunal Eleitoral proclamar eleito o candidato que obteve a maioria dos votos válidos, não computados os votos em branco e os votos nulos, quando não houver candidatos com registro indeferido, ou, se houver, quando os votos dados a esses candidatos não forem superiores a 50% da votação válida; 
II - não deve o Tribunal Eleitoral proclamar eleito o candidato que obteve a maioria da votação válida, quando houver votos dados a candidatos com registros indeferidos, mas com recursos ainda pendentes, cuja nulidade for superior a 50% da votação válida, o que poderá ensejar nova eleição, nos termos do art. 224 do Código Eleitoral;
III - se a nulidade dos votos dados a candidatos com registro indeferido for superior a 50% da votação válida e se já houver decisão do Tribunal Superior Eleitoral indeferitória do pedido de registro, deverão ser realizadas novas eleições imediatamente; caso não haja, ainda, decisão do Tribunal Superior Eleitoral, não se realizarão novas eleições;”



Retirado das mesmas fontes, as publicações da Lei Eleitoral, o texto acima também faz parte do Código. E é ele mesmo que fecha a questão da nulidade. Segundo o artigo acima, nulos são os votos que damos aos candidatos IMPEDIDOS! Existem candidatos que se mantém fazendo campanha enquanto seus processos estão sendo julgados. Estes, às vezes, acabam entrando na listagem no carregamento da urna eletrônica. Se você encontrar um DESTES candidatos e conseguir votar nele, aí sim, seu voto, se a candidatura dele continuar impedida, será anulado. Caso contrário, voto nulo conta como voto branco, não válido, fora da contabilidade que nos interessa.

A prova? Documento do site do próprio TSE. Basta ler com atenção e fica tudo claro. E esse link é oficial: http://www.tse.jus.br/arquivos/tre-ms-artigo-sobre-votos-validos

Espero que estejam satisfeitos com minha explicação. Se não, procure o jurista mais próximo e se informe! Mas não saia por aí fazendo caca eleitoral porque seu amigo do Facebook te disse que era descoberta da lâmpada!

O voto nulo, hoje, serve para uma única coisa: tirar o peso da SUA responsabilidade dos SEUS ombros e jogar nos ombros de quem tem paciência para pesquisar Política!

Com fé nas responsabilidades nos lugares certos,

Filhinha de Papai 

Ah! O período eleitoral...


Hoje vi uma iniciativa do Estadão, colocando um repórter disfarçado, sendo candidato a verança na cidade de São Paulo. Ele pede que não votem, afirma que não vai fazer campanha e deixa claro que seu objetivo não é chegar à Câmara Municipal. Promete, entretanto, revelar os “bastidores” das campanhas eleitorais.

Legal! Vou acompanhar a série, mas já adianto: não tem “segredinho de bastidor” , não! A vida partidária é bastante parecida com a nossa vida real e qualquer um que não demonstre claros sinais de desequilírio mental que ameace a vida alheia, pode ter acesso a toda a “limpeza” ou “sujeira” da política. Basta querer saber!

Não vou plagiar o repórter do Estadão, não vou revelar “bastidores obscuros”, mas há muito estou tentando tempo para retomar o blog, até para dividir com todos as minhas estranhas idéias sobre campanha, cargos minoritários e majoritários, política partidária e, principalmente, a tão sonhada Reforma Política que o brasileiro tanto cita.

Alguns tabus, porém, eu mesma já venho derrubando pelas ruas, ao conscientizar as pessoas de que qualquer um pode ser candidato a qualquer cargo, nos moldes atuais, mesmo sem milhares de eleitores como garantia ou ainda, sem milhares de REAIS como garantia! A vida não será igual para todos com essas diferenças, mas elas não impossibilitam a população “comum” de chegar ao lugar que uns tanto louvam e outros só xingam: o de empossados na política brasileira.

Ao mesmo tempo, acho de suma importância que o brasileiro compreenda que no poder, estão os representantes que NÓS escolhemos, que eram iguais a todos nós antes de serem escolhidos! Se temos um problema com aqueles que costumamos tratar como deuses, porque NÓS demos um cargo a eles, não será, a primeira responsabilidade por todo mal, nossa?

A candidata que “vos posta”, então, vai revelar o que qualquer pessoa que ler este blog quiser saber sobre a candidatura ou o funcionamento da política por aqui, no Rio de Janeiro. Não participo de aplicativos que permitam perguntas, mas tenho o hábito de responder a todos os e-mails que me enviam. Se alguém quiser saber algo que eu saiba, basta comentar aqui ou enviar um e-mail para mim, no eusoukarina@gmail.com.

De resto, vamos continuar num esforço coletivo de fazer com que as pessoas raciocinem um pouco além do que são induzidas a raciocinar! Uma de minhas professoras tem muita preocupação com isso e eu acho muito interessante da parte dela: ela tenta nos treinar para sermos advogados ESPERTOS. Esperto significa malandro? NÃO! Espertos no sentido de fazermos as conexões que interessam ao nosso trabalho, à nossa vida!

Como costumo convidar: vamos todos começar a fazer mais ligações de pontinhos e continhas de soma simples?

Com muito mais a falar,

Filhinha de Papai

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Errado é querer acertar!


Eu estou afastada, devendo um post seríssimo ao amigo João Bolsoni, sobre o fim dos fundos teoricamente destinados ao trabalhador, mas tive que fazer um protesto rápido aqui, antes de qualquer coisa!


Definitivamente, estamos vivendo a “ode ao desvalor”! Diariamente!
Não bastasse a “Cachoeira”, a enxurrada, a lama toda que está vindo a tona sem que eu tenha olhos para acompanhar tanto escândalo estatal, grande parte da população realmente enlouqueceu! É minha humilde opinião!
Criminoso condenado presidindo comissão.  Político safado confesso saindo de santo porque denunciou outro safado. Supremo Tribunal Federal cometendo estupro à Constituição Federal... é, realmente, o país da piada pronta. E vai continuar a ser, porque a população só colabora!

Fora o fato de muita gente achar que porque não trabalha o Estado tem obrigação de sustentar, fora o fato do brasileiro, em geral, ter dificuldade em focar outra coisa que não seja o próprio umbigo, fora o fato do brasileiro, em geral, ter preguiça de urna, agora o responsável tem a responsabilidade de carregar o encostado! Cuidado que pode virar lei!


Universidade, dias normais entre Abril e Maio:

Fomos nós, os alunos, naturalmente submetidos a uma série de avaliações bimestrais. A primeira nota a ser divulgada? História do Direito (para quem não acompanhou, voltei ao curso de graduação, em Direito). Notas boas, notas ruins... nada fora do normal.

A professora é extremamente dedicada aos alunos. Preocupada com o fraco desempenho de alguns, ela oferece uma oportunidade extra de recuperação de nota: um trabalho escrito sobre a relação entre o Direito romano e nosso Código Civil. Básico, para quem pretende, pelo menos, advogar um dia na vida!

Eu preciso melhorar minha nota? Nem tanto. Consegui nove dos dez pontos da avaliação, estando tranquila para a próxima, onde se eu conseguir míseros cinco pontos, já não preciso me preocupar com o próximo semestre. Isso se eu não gostasse de estudar. Claro que vou escrever sobre o assunto proposto e tentar ficar com doze, uma vez que o trabalho vale até três pontos adicionais. E o assunto é de extrema importância acadêmica! Não posso perder.
Nerd? Geek? Divirtam-se! Nenhum deles me ofende! Se eu almejasse apenas um diploma, poderia comprar um, como fizeram alguns de nossos governantes. Mas eu insisto em ter valores que já não sei se valem algo!

Durante o anúncio feito pela professora, de que o trabalho pode ser realizado em grupos de até três pessoas, recebo um convite de uma colega para compor um trio com ela. Aceito o convite. Monto nosso trio convidando outro colega.

SEIS dias depois, a colega, que até então não havia mais tocado no assunto, reforça sua posição de parte do trio, mas não pede tarefas nem se propõe a nada. Não forço! Não tenho obrigação de procurar pela pessoa que quer A MINHA ajuda, em minha opinião.  Já O colega, pede tarefas e trabalha comigo desde o primeiro dia.

Dia de entrega do trabalho, quatorze dias depois do anúncio. A colega jamais tocou no assunto novamente. Eu e o outro colega, terminamos tudo, imprimimos, encadernamos e entregamos nosso texto, no dia 09/05, o marcado pela professora. A colega? Não tinha COMPARECIDO às aulas novamente, desde a semana anterior. Só apareceu para completar as avaliações bimestrais. Sua última aparição na Universidade havia sido no dia 07/05, dia de avaliação bimestral. Sem tocar no assunto do trabalho, a ser entregue dois dias depois. Nada! Fiquei quieta novamente.

Eis que no dia QUINZE de Maio, seis dias depois da ENTREGA do trabalho, ela aparece. E resolve me questionar a respeito. Informo, delicadamente, que o trabalho estava entregue, sem os créditos a ela, obviamente, que não tinha crédito algum, por pura omissão.

Agora a ode: ELA FICOU BRAVA! Sim, leitor! Ela ficou enfurecida! Como se eu tivesse arquitetado tudo para acabar com a vida dela! Achou-se no mais pleno direito de BRIGAR comigo, pela falta do crédito! Em público! Com testemunhas! Prometo!

Resumo da ópera: eu, aluna dedicada, ferrenhamente contra a fraude acadêmica, sou agressivamente questionada e condenada por uma colega porque eu não compactuei com a fraude que ELA queria aplicar, usando o MEU texto para tal. O leitor não acha bonitinho? Eu achei!


Para o amigo Daniel Ramos, que vive em crise existencial porque é homem de valor, aviso novamente, agora oficialmente: errado é você, amigo! Errado é você que não compactua nem trabalha para a fraude alheia!
Porque nós, pessoas que lutamos pelo sucesso oriundo do esforço pessoal, somos os “extraterrenos” dessa Terra maluca que, pelo visto, está girando ao contrário!


Com esperança de um pingo a mais de vergonha a cara alheia,

Filhinha de Papai

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Porque "Filhinhas de Papai", às vezes, vão parar no hospital público.


Junho de 2010, final de tarde, escritório da Rede Mobiliza: estou terminando minhas atividades laborais do dia, e caio no chão com uma dor muito forte na região abdominal.

Como pessoa muito sortuda que sou, eu havia acabado de me casar e, consequentemente, mudar de plano de saúde particular para ser dependente de meu marido no plano corporativo dele. No intervalo, enquanto fiquei DIAS descoberta, a necessidade apareceu.

Meus colegas e amigos, desesperados porque a dor me fazia gritar, levaram-me ao hospital. Qual? Se eu não estava amparada por um plano de saúde particular? O mais perto público que havia ali: Hospital Municipal Miguel Couto.

Eduardo Paes já era prefeito há dois anos. Eu, já havia sido atendida pelo mesmo hospital, no ano de 1998, quando a situação já era sofrível. Piorou muito!

Chego ao hospital carregada pelo amigo Rafael, acompanhada pelo outro amigo Rafael e um terceiro que eu não me lembro se era Eduardo ou Tiago. Enquanto um Rafael fazia minha ficha, o outro esperava, com meus então 68 quilos no colo, enquanto a cadeira de rodas era providenciada. Maca? Não havia disponível ali.
Meu marido chega, a cadeira de rodas aparece, entro na emergência. Dois amigos se retiram, “Rafa irmão” fica para ajudar meu marido com o desespero! Confesso, fui atendida rapidamente na emergência. O médico de plantão foi atencioso, rápido e dedicado. Mesmo eu tendo que ser atendida, para tudo, na cadeira de rodas ainda. Eu tinha duas opções:  permanecer sentada na maca dentro do consultório, atrapalhando outros pacientes que chegavam na emergência, ou esperar na cadeira por uma maca. Obviamente, fiquei na cadeira esperando.

Mais de uma hora e meia depois, três injeções de analgésico, tendo sido o último, uma dose de morfina, sou transferida da cadeira para uma maca. A ÚLTIMA maca completa disponível na emergência no Hospital. Maca completa = a maca, um colchonete, um forro fino para o colchonete e um lençol. Tudo bem, finalmente, me deitei! Estava precisando, a dor era forte, ainda!

Fico no meio do corredor. A enfermaria lotada é dividida para homens e mulheres (mas não os únicos dois banheiros, sendo que apenas um possuía chuveiro). Há um homem na parte reservada às mulheres, porque a enfermaria masculina já está completamente sem capacidade para receber mais um, incluindo corredor. Fico, eu, no corredor da enfermaria feminina, até que algum paciente saia dali. Mas as saídas são bem menos frequentes do que as entradas. Enfim saiu um homem da enfermaria masculina, e eu fui transferida para um canto.

Rapidamente, as pessoas se entrosam e desenvolvem certo nível de amizade. A desgraça coletiva aproxima o ser humano. Comigo, há outras mulheres, 12 ao todo, na mesma enfermaria. Entre elas, há três sem condições de comunicação. Uma delas, acompanhada da mãe, que cuidava de TODAS as pacientes naquela enfermaria. Se eu me alimentei, consegui ir ao banheiro, e tive um mínimo de dignidade naquela situação, foi por obra daquela senhora caridosa, que amparava à própria filha e mais 12 mulheres desconhecidas. ELA nos ajudava a descer ou subir das macas (a quem podia andar), ELA nos ajudava dando-nos comida e bebida, ELA operava os telefones informando familiares das outras...Infelizmente, não me lembro do nome da minha benfeitora, mas tenho fé que ela conhece minha gratidão!

A noite chega. Somente esta senhora citada permanece naquela enfermaria, pois não temos direito ao acompanhamento familiar. O próprio corpo de funcionários do hospital faz vista grossa à presença de nossa benfeitora, certamente percebendo que se não fosse ela, talvez nosso sofrimento sem voz tivesse causado um motim necessario.

Curiosa, assim que consigo me comunicar decentemente, começo a fazer o levantamento da situação daquela enfermaria. Das outras 12 mulheres dividindo espaço comigo, CINCO estavam diagnosticadas com trombose. Uma delas, desacordada, já havia tido uma perna amputada, e a outra estava visivelmente comprometida. As outras eram menos “graves”. Escândalo número...não sei, porque foram muitos, mas as cinco mulheres ali estavam há DOIS DIAS sem HEPARINA!
Heparina, leitor, é um medicamento anticoagulante BÁSICO, de preço baixíssimo, presente em qualquer farmácia do país! Mas no Miguel Couto estava “em falta”! Aquelas mulheres estavam se submetendo ao risco de perderem seus membros, não sendo medicadas para uma doença tão frequente entre os brasileiros, e sem um medicamento tão banal! Que outra opção elas tinham? O Souza Aguiar? Consegue ser pior! Pedro Ernesto? Idem! Geral de São Gonçalo? Estamos falando de outra cidade....e por aí, caminha o fluminense.

Chega a primeira noite. Eu tenho que achar um jeito de dormir e descansar, mesmo que a tragédia se apresente ao meu lado o tempo todo. Sou humana.
Descansar? Na enfermaria do Miguel Couto?  Eu pensei isso mesmo?  De onde foi que eu tirei essa utopia?
Claro que para uma pessoa com dores e sono leve, é impossível pensar em descansar! Numa média de intervalo de vinte minutos, entra um novo paciente, escuta-se um novo grito por ajuda, um novo lamento. Mas parece que só os pacientes escutam. A senhora amputada, a cada intervalo de sedação, acorda gritando com dores. Para a sedação ser aplicada novamente, a média de tempo é de duas horas. Onde está o corpo de enfermagem? Foi a pergunta que eu mais me fiz, naquela situação.

Dia seguinte, SÁBADO! Sábado, ao que me parece, constitui o “Dia Nacional de procurar o pronto atendimento”. Sem detalhar, resumo que no sábado foi instalado o caos completo naquela já lotada enfermaria!

Uma senhora chega com dores abdominais. Para ela, já não há mais colchonete, ou qualquer tipo de forração para a maca metálica. O médico, em solidariedade, improvisa uma cobertura com materiais descartáveis como aventais e toucas, para não expor completamente a genitália da mulher ali, no meio de tantos outros pacientes. Os que chegaram depois, ficaram sem NADA! Não havia mais UMA maca sequer, para acomodar a ninguém!

Ao meu lado, no leito à minha esquerda, a paciente estava sob efeito de sedação. Mas ela acordou! Não sou médica, mas a moça parecia ter problemas psiquiátricos. Amarrada à maca, pés e mãos, ela só dormia. Porém, ela acordou. E COMO acordou! Quando o efeito passou, ela passou a gritar e se debater. Eu, momentaneamente deficiente, tentei segurar a maca, quando esta veio de encontro à minha. Não tive forças e a moça desabou, amarrada, com a própria urina inundando lençóis, seu avental e tudo o que estivesse sob ela, com os acessos venais abertos, sem qualquer chance de defesa. Desabou com maca e tudo, no chão, sem qualquer proteção.  Aí sim, apareceram funcionários! Porque o estrondo foi muito grande. Se eu pedi ajuda para segurar? Claro que sim! Mas ali, gritar não era eficaz para nada.

Ah, mas para o acidentado de moto, IDOSO e RICO, desceu a DIREÇÃO do hospital para atender (me desculpem pelas maiúsculas, mas eu tenho problemas pessoais no quesito “motocicleta”. E acho um absurdo um idoso, que não tem necessidade de circular sobre elas, se acidentar assim, no lazer). Três médicos e duas pessoas do corpo de enfermagem para UM paciente. Enquanto os demais não tinham UM para todos.

Idosos ricos à parte, éramos, de resto, todos pobres, lançados a nossa própria sorte. A frequência daquelas enfermarias era, em grande parte, de moradores de rua. Um deles, chegou a confessar para mim, que para poder COMER (o hospital não falha nas refeições), se atira na frente de veículos para ser atropelado e ficar sendo alimentado no hospital. Para esses, eu doei toda a comida que recebi do hospital. Eu tinha de fora, não precisava para mim. Não suporto ver fome! 
Ainda no sábado, no início da visita, recebo uma senhora desconhecida, de idade bastante avançada, que devagar foi chegando ao meu leito improvisado e, tendo achado minha atenção, ficou por ali “me visitando”. O objetivo dela? Conseguir uma pequena sobra de meu prato do almoço. Quando eu dei, ela foi expulsa pela segurança. É. Segurança para isso tinha.

Sábado ainda. Estou sob efeitos do antibiótico Ciprofloxaxino, diretamente injetado em minha veia. O desconforto estomacal era frequente e se eu não era medicada para conter, vomitava. Não fui medicada, vomitei! Numa pequena bacia, que eu mesma encontrei perto de minha maca. Lembrando, meu problema era um cisto de ovário, roto, que havia se rompido no momento da primeira dor e estava sendo absorvido lentamente por meu organismo. O que eu quero explicar com isso: a minha locomoção era bastante limitada. Mesmo assim, achei eu mesma a bacia e ali consegui vomitar.
Com a bacia cheia de meus problemas no colo fico, por mais de quarenta minutos. Eu não chamei a enfermagem? SIM! Algumas vezes! Minha maca, inclusive, era ao lado do balcão onde eles DEVERIAM estar. Nunca estavam! No momento em que precisei, várias pessoas por ali passaram, mas nenhuma me ajudou a remover aquela bacia dali. Fico cansada, levanto-me com dificuldades novamente, dessa vez, para atirar a bacia cheia contra aquelas pessoas que só faziam observar. Eram funcionários do hospital, mas por algum motivo, não me atenderam! Achei, então, de atender a eles do meu jeito delicado!

Por último, para abreviar este imenso post, minha última resposta nervosa foi a um dos estudantes de Medicina que lotam aquelas enfermarias nos tratando como animais de circo (muita curiosidade e quase nenhum respeito), que ao passar pelo meu leito, fez o infeliz comentário ao ver a capa de meu livro: “Lendo em inglês? Nossa! O que você está fazendo aqui?”
HEINNN??? Como assim, senhor estudante de Medicina? Ninguém ensinou para você que uma coisa não tem relação com a outra? Que o fato de eu saber ler em outra língua não me garante, absolutamente, um bom tratamento de saúde em lugar nenhum do nosso país? O futuro de nossa Medicina me preocupa muito! Do da nação eu já desisti há muito!

Saí eu, no dia seguinte, daquele cenário de caos que me lembrava dos filmes de guerra a que já assisti. Saí no domingo cedo, para ser transferida para outro órgão de saúde, dessa vez particular e caro, para ser tratada com dignidade.

Meus colegas de enfermaria? Lá ficaram! Sem atendimento, sem medicamentos, sem enfermagem, sem ajuda, sem QUALQUER traço de dignidade humana. Com um escândalo seguido do outro, bem ao lado!

Oras, achei que “dignidade da pessoa humana” fosse direito garantido pela Constituição Federal. Opa! E é? Então, avisem ao poder Executivo, porque não basta legislar.


Torcendo para que um dia eu saiba que os tipos de cenas, descritas acima, não acontecem mais além da televisão,

Filhinha de Papai (que também é pobre e também depende dos serviços públicos)

terça-feira, 10 de abril de 2012

Continuando sem novidades, abuso de Reinaldo Azevedo

Estou PASMA!

Parece que a única desavisada a apanhar no Clube Militar no dia 29/03/2012, fui eu! Os mais "informados", conseguiram perceber o que ia acontecer ali, antes mesmo do ocorrido.

Como eu quero os comunistas LONGE de mim, não acompanhei o planejamento de seus atos violentos. Aqueles, com a desculpa de serem "em pról da Democracia".
Mas a verdadeira imprensa nacional, a que NÃO tem o hábito de contar mentiras governistas para receber pagamento e aval das bases aliadas, acompanhou e noticiou. E como sou pequenina, uso o gigante novamente: Reinaldo Azevedo, seu sarcamo e cinismo perfeitos, e as colocações que eu jamais serei capaz de fazer!

Obrigada, novamente, GRANDE Reinaldo Azevedo!

Mais um episódio, de Reinaldo, para "as mentiras vermelhas sobre o dia 29 de Março":

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/sera-mesmo-que-tarso-genro-estava-por-acaso-na-bagunca-promovida-em-frente-ao-clube-militar-vejam-o-que-eu-descobri-com-foto-e-tudo-ou-das-vergonhosas-omissoes-da-imprensa/?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+ReinaldoAzevedo+%28Reinaldo+Azevedo%29

Com admiração por Reinaldo, e NOJO dos agressores,

Filhinha de Papai