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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Eu sou uma brasileira bem drogada. Você também não é?


Estou há dias para soltar esse post. Vou aproveitar que bateram no Frejat pelo assunto e vou esclarecer a minha opinião:

Sou a favor da legalização de drogas, hoje ilícitas no Brasil? Não! Não mesmo e meus amigos íntimos que conhecem todo e qualquer “podre” meu sabem que é verdade! O que uso, usei ou vou usar, não deve refletir na minha posição POLÍTICA! Não permito  que reflita.

Uso drogas? SIM! Como a maioria do brasileiro. “Como assim? Sua drogada! Eu não sou uma drogada como você!!!”. Tem certeza? E o anticoncepcional que você engole bonita e sorridente todo dia? Não se chama DROGA, também?

Viva a grande hipocrisia empresarial brasileira!

O Frejat tem razão? Não acho, de todo. Ele está, ao que me parece, com a idéia do tipo do Fernando Henrique Cardoso, que eu acho romantismo puro, de que a força policial brasileira vai se concentrar melhor no combate ao grande traficante, se puder se preocupar menos com o pequeno usuário (e este merece só tratamento). Discordo e ouvi um grande argumento do candidato à prefeitura do Rio pelo PSDB, Otavio Leite, que disse “se o produtor PUDER plantar maconha, ele vai preferir plantar maconha ou arroz? Acho que maconha dá mais dinheiro, não?” ...algo assim. Peço desculpas ao candidato se não foi isso, mas eu apenas ouvi e não anotei. Fato é que Brasil não é Holanda! E ele tem toda razão em argumentar que se a maconha for liberada neste país, vai virar um “samba do crioulo doido”. Nesse ponto, nosso problema não é químico, é educacional.

O que eu vejo de mais “podre” nessa história toda? A minha gaveta!
Eu tenho em casa, de maneira LEGAL, com apoio Constitucional, material suficiente para matar de overdose de drogas uma manada de elefantes! Como? Simples! Comprei na farmácia, como sugeriu Frejat que seja feito com maconha e cocaína. Algumas dessas drogas que tenho, inclusive, “dividem” ingredientes de suas fórmulas com esses vilões que conhecemos por serem ilegais. Tem Químico lendo esse post? Vai saber que não estou mentindo! Farmacêutico? Médico? Quem vai me contrariar com base científica? Duvido! Sou paciente psiquiátrica há 15 anos e meu médico não mora comigo nem me filma durante as 24 horas do dia, para saber se tudo que já me foi receitado ao longo desses anos, foi tomado da maneira correta e por mim. Como garantir? E de posse disso, eu já poderia ter me tornado uma traficante de medicamentos há muito! Só a quantidade de amigos que já me pediu comprimidos de Rivotril (benzodiazepínico, tarja preta, pode causar vício....e daí?) já fica incontável com meus 20 dedinhos! São criminosos, meus amigos? Pela nossa lei, não! E se eles tivessem me pedido, em vez de Rivotril, dois gramas de maconha, cada um?

Tem alguém disposto a falar sobre bebida alcoólica? Tão legal quanto a mortífera nicotina, em nosso Brasil? Alguém conhece, baseado em pesquisas científicas, qual a substância mais viciante do MUNDO? Como viciada que sou, informo: NICOTINA! Ninguém ganhou dela até hoje, no nível de desespero detectado nos ratinhos cobaias. Mas essa eu compro aqui na porta de casa, com respaldo governamental. Álcool, então! Restaurante usa na culinária sem nem avisar e fica tudo bem! Mas tem uma tributação absurda em cima! Então pode.

Quantas famílias você conhece, que foram verdadeiramente destruídas por conta do vício por bebidas alcoólicas? Essa conta é assustadora! Nunca escutei de ninguém a resposta “nenhuma”. NUNCA! Mas beber, no Brasil, pode e tem até marketing para estimular!

Meu pai? Morreu de fumar. Meu tio? Morreu de beber. Meu sogro? Morreu de fumar. Meu tio materno, morreu de beber. Meu vizinho? Morreu de fumar. O pai do porteiro? Morreu de beber...

Eu conheço, você conhece, seu parceiro conhece, seu amigo conhece....todos nós conhecemos tragédias imensas intensificadas pelo uso de álcool (chega de cigarro, nesse post). Quantas ocorrências policiais o álcool produz? Em casa, porque bebeu e ficou violento com os filhos, no trânsito, porque bebeu e dirigiu, nas ruas, porque bebeu e quebrou o bar...

“Tem razão! Então legaliza tudo”. Tá! Mas como eu disse anteriormente, Brasil não é Holanda! E se você acha que a Holanda é um super país desenvolvido que, por acaso, deixa acontecer um “oba-oba geral alucinógeno” pelas ruas, está redondamente enganado quanto à segunda parte!
Por que Amsterdam (não Holanda inteira! As portas se fecharam e quem mantem a venda para turistas é a capital, apenas)  vende maconha legalmente? A California? A Austrália? O recente Uruguai?
Simples: cultura! Que louva a Educação e o respeito ao próximo. Vamos conseguir no Brasil? Acho mais fácil eu me transformar numa lagartixa.

Nesses lugares, existe controle sério estatal sobre onde se planta, quanto se planta, como se planta e se trabalha com, quem distribui, quem vende e quem consome. A população também colabora, e na falta de força policial, vai ela esclarecer e reclamar para o desavisado que aquilo ali não é “casa de mãe Joana” e que não se pode acender seu baseadinho no meio da praça cercado de criancinhas. E se o brasileiro se deparar com uma cena de um ilegal de baseado aceso no meio de uma pracinha com quinze criancinhas em volta? Se conseguir enxergar, vai passar reto. Se não for usuário, vai sair reclamando para si mesmo. Se for, não vai nem achar ruim! Mas alguém vai ter “peito” para abordar o usuário e dizer que está chocado com aquela contravenção no meio da rua, sem qualquer pudor? Os 10% da população que me acompanham sendo chamados de “sem noção” ou “loucos” por defenderem sozinhos seus direitos, talvez reclamem e aguentem as consequências sozinhos.  O resto, prefere “ não se aborrecer”!

Eu usei aspas para “não se aborrecer”, porque a frase que ando escutando com frequência, para justificar um comportamento pusilânime comum, é “eu não quero me aborrecer!”. Você não se aborrece, mas o resto do mundo quebra essa para você!

Esses lugares que citei, onde o uso de canabis sativa, ou maconha, é legal até certo ponto, são lugares com centenas de anos de cultura diferente da nossa. Grande parte da ordem pública desses lugares, é mantida com o cuidado da própria população. Em contrapartida, no Brasil, só não se faz se for ilegal e se tiver perigo da polícia pegar. Caso contrário, não interessa se é certo ou errado, mas se ninguém capaz de punir estiver por perto, a população VAI fazer!

Já estacionou em local proibido, sabendo que era proibido? Já entrou numa rua e percebeu que era proibido entrar ali com seu carro, mas continuou indo? Já pendurou uma toalha na varanda do seu apartamento, mesmo com o estatuto do condomínio te pedindo para não fazer isso, porque seus vizinhos todos penduram e você cansou de ser educado sozinho? Então! Aqui, basta o primeiro fazer a “caquinha” e, precedente aberto, vamos correndo burlar as leis! Nessas circunstâncias, é que digo que acho mais fácil eu me transformar em lagartixa do que termos organização para o consumo e trânsito de drogas alucinógenas.

Só que, já que quase tudo é proibido, gostaria muito que o brasileiro acordasse para a grande hipocrisia: você bebe sua cervejinha? Então não reclame do mal à saúde que faz o baseadinho ilegal do outro! Não é porque não interessa aos nossos líderes liberar um e proibir o outro, que você está sendo um bom cidadão evitando o ilegal! Você está jogando o jogo dos manipuladores com péssimas intenções, achando que está livre de culpa. Se tomar UMA atitude que te cause arrependimento e achar de justificar que foi a bebida que te levou a isso, você é pior do que o maconheiro que escondeu o baseado na cueca: ele teve vergonha e disfarçou! Você arrumou uma desculpa porca!

Se o médico receita um medicamento que pode causar vício e alucina e isso é legal, não pode o mesmo médico receitar uma substância viciante e alucinógena, só que não legalizada e não tributada e comissionada pelos grandes laboratórios? Será que não tem dedo de laboratório farmacêutico nessa conta, também?

Sempre pensando nas grandes conspirações,

Filhinha de Papai



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