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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Muro das Lamentações


Tenho falado em minha “TL” no Twitter que o “muro das lamentações”, que segundo nos consta fica em Jerusalém, mudou-se para minha caixa de entrada de campanha. Expliquemos.

Candidata, recebo e-mails no meu endereço público, o eusoukarina@gmail.com , com todas as informações que preciso para a campanha. Exclusividade minha? Claro que não! Todos os candidatos que informaram endereço, recebem juntos as mesmas informações.

Um dia, um dos meus “companheiros de quarto escalão” (explicarei o termo mais adiante) aproveitou o fato de todos nós recebermos os mesmos e-mails, e resolveu abrir seu coração magoado por campanha. Está formado, então, o “muro das lamentações” da minha caixa de entrada.

O primeiro candidato, o que teve a idéia de protestar, abriu o precedente. Depois dele, veio o resto, tão magoado quanto. Por que?

A vida partidária é uma coisa interessante. Descobrimos em meia dúzia de reuniões como é que a coisa toda funciona. Mas tem quem não compareça às reuniões e não entenda como é que a teoria é aplicada na prática. Aplicando, fica assim:

Os candidatos são divididos em “escalões” . Do primeiro até, em nosso caso, no PSDB daqui, o quarto. Levando em conta critérios como popularidade, mandato e DINHEIRO! Claro, afinal, eu já demonstrei que esse último item citado manda em tudo.

Os primeiros a ganharem apoio, material de campanha, tempo de TV, tempo em rádio e todos os demais itens da lista “o que o partido vai me dar”, são os que já tiveram ou ainda têm algum cargo.Os empossados ou ex-empossados, que contam com a popularidade, dinheiro e apoio de pessoas com recursos.
O segundo “escalão”, é composto por candidatos que também possuem apoio financeiro, apesar de não serem ainda políticos conhecidos. Têm “potencial”.

O terceiro é composto por políticos não reconhecidos, mas que possuem vontade e capacidade de captar grande quantidade de recursos financeiros (grande quantidade não é trocado, hein! Vamos sempre começar a falar na casa das centenas de milhares de reais) e possuem algum eleitorado significativo que contribua com a legenda.

O quarto, então, é composto pelo resto. Resto que pode ser de gente que ACHA que tem capacidade para ser eleita, mas que aos olhos do partido não tem. E não tem mesmo! Pessoas que nunca foram eleitas e que não contam com garantias de recursos financeiros. O “quarto escalão” reúne as pessoas que estão praticamente sozinhas, que entraram na chapa porque fazem alguma diferença ou barulho na política, mas que não possuem base eleitoral, recursos financeiros ou influência sobre quantidade grande de pessoas.
Da chapa de mais de setenta candidatos a vereança, apenas uns cinco fazem parte do primeiro escalão. O segundo é maior, o terceiro maior ainda e o quarto é o grande desse ano, porque o PSDB carioca está sem nomes famosos para esta eleição. Onde deveria, inclusive, funcionar o “primeiro escalão”, está tudo fragmentado, com quadros partidários até eleitos apoiando candidatos de outras coligações ou partidos. Eis que nessas eleições a grande maioria da chapa de candidatos a vereador pelo PSDB carioca, é “ninguém”, tipo eu!

Preciso deixar claro que ao apelidar a situação de “muro das lamentações”, minha intenção não é desmerecer ou tirar humor da situação desses candidatos magoados. Não é isso. O lamento é meu também, por perceber quanta gente enganada e iludida entra nesse tipo de empreitada.

No dia 21 de Agosto deste ano, então, começou a veiculação em televisão dos programas eleitorais. Todos os candidatos da chapa tiveram a oferta de gravar doze segundos de declaração, para ser inserida no programa eleitoral do partido. Vereadores são inseridos em Rede Nacional, pelas regras, dia sim, dia não. Ao recebermos a oferta de gravar doze segundos, muitos candidatos acharam que seus doze seriam iguais aos doze de qualquer um. Não é assim, é óbvio! Óbvio para mim, obviamente.

Primeiro dia de propaganda, os candidatos que eu já sabia que são do “primeiro escalão” apareceram. Do segundo também. Entre eles, um senhor cujo talento mais interessante é ter sido jogador de futebol pelo time mais popular do Rio de Janeiro. “Mas ele não sabe falar!!” , disseram. E daí? Quem disse que na política, hoje, interessa se o cidadão está preparado tecnicamente para assumir o cargo ou não? E se analisarmos, todos, TODOS os partidos políticos funcionam assim. Não venham me contestar dizendo que é diferente em partido pequeno. Só é diferente em relação realmente ao tamanho de cada partido, mas todos funcionam no mesmo raciocício nesse quesito.

Armada a confusão, começa a troca de e-mails que anunciei acima. Uns reclamam dos méritos dos outros, outros reclamam apenas da própria situação, mas a reclamação é geral. Uma série de candidatos “pequenos” desiludidos porque foi criada expectativa. Muita expectativa, em cima desses encantados doze segundos.

Eu, sinceramente, já havia aberto mão de meus doze, sabendo que não teria inserções, porque continuo fazendo campanha contra campanha, não saí uma única vez para fazer campanha em pról de nada nem de ninguém depois do dia 07 de Julho deste ano (claro que converso e peço votos para Otavio Leite, porque eu mesma gosto dele) e, o que mais me dá prazer, minha obrigatória conta bancária de candidata continua partindo de zero, passando por zero, terminando em zero reais! No fim, tivemos mais uma chamada para gravação, num dia em que eu estava completamente livre (domingo, início de Agosto) e eu gravei meus doze segundos. Mas não gerei expectativa para ninguém, porque já tinha entendido o processo. Entrei porque eu quis, sabendo de tudo isso.

Questiono, então, o que é que foi dito, passado, esclarecido e discutido com os candidatos integrantes do grupo de e-mails. Tinham esperança de que na distribuição do horário eleitoral o mundo fosse voltar a girar no sentido certo, ignorando o que manda hoje em dia que é o poder econômico e tudo o que gira em torno de conseguí-lo, para garantir igualdade social na televisão?

No meio das reclamações, conseguimos ainda ver o lado bonito das situações tristes e alguns começaram a tentar motivar uns aos outros, até com o apoio bíblico. Mas eu, sinceramente, acho que Deus não tem nada a ver com eleições. Se tivesse, provavelmente uma série de excomungados morais não estaria empossado.  Mais para frente vou comentar o que penso a respeito da mistura de religião com política nesse país.

Depois ainda tem uma grande maioria me perguntando sobre meu posicionamento. Sendo claros, eu não estaria candidata, muito provavelmente, se não fosse outra idiotice estimuladora do preconceito em nossa nação, chamada “cota para mulheres”. Eu sirvo ao partido levando comigo os candidatos “reais” da chapa e o partido me serve auxiliando em tudo para minha candidatura e fornecendo material. Relação amorosa sincera: ninguém se ilude e vivemos felizes para sempre. Mas se existe esse critério de cotas por gênero, ainda tinha candidato acreditando em igualdade social na distribuição do horário eleitoral?

Como eu sempre digo e peço: basta parar um pouquinho para ligar uns pontinhos. Deixando os pontos soltos, é que se criam as frustradas expectativas e as ilusões inúteis.  Se querem mudar, fazer diferente, só existe um caminho e este é lutar para mudar o sistema! Simples!

Parar de ficar acreditando nas boas intenções do mundo e começar a colocar realmente em prática as nossas, pode ser o caminho para a mudança que precisamos fazer para salvar as próximas gerações. Quero, com isso tudo, apenas que as pessoas parem um pouco para pensar!

Raciocinando ainda,

Filhinha de Papai

Um comentário:

  1. Muito bom! Se eu fosse do RJ, votaria em você! Qual é o número mesmo?
    João Bolsoni

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