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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Campanha pode ser sem campanha?


Estou em campanha eleitoral. Estou?

Deveria estar, uma vez que estou candidata a um cargo de veradora pela cidade do Rio de Janeiro. Tenho sido duramente questionada por não estar distribuindo panfletos, afixando placas, divulgando incansavelmente minha carinha e propostas pelas Redes Sociais, saindo para ações de “corpo a corpo” ou mesmo divulgando que estou candidata entre aqueles que me conhecem como voluntária de ações sociais. 

Pois eu tenho, de acordo com os meus valores, motivos bons para justificar cada uma das minhas “faltas de ação”. Pode parecer falta, mas eu estou agindo, de maneira diferente.

- Por que não distribuir panfletos?
Porque você pode escrever vinte vezes naquele panfleto que gostaria que as pessoas, ao descartarem depois de ler, jogassem apenas nos lugares destinados a lixo, que elas vão continuar jogando grande parte deles nos chãos das ruas. Depois, além do problema visual, temos problemas com acúmulo de poluição e galerias entupidas, e o candidato vai poder dizer que não colaborou sujando? Na minha concepção, não vai!

- Por que não afixar placas?
Eu não me acho nem um pouco mais bonita ou interessante do que as paisagens da cidade. Eu, particularmente, prefiro andar pelas ruas vendo apenas o que faz parte daquilo, e não a carinha dos candidatos, gostando deles ou não, afixadas por todas as partes. Se eu prefiro a cidade sem as placas, como poderia me utilizar desse recurso para me promover? Não crie para os outros o incômodo que você não queria para você. Não é assim que as coisas funcionam de maneira mais agradável?

- Por que não divulgar incansavelmente minha carinha e propostas pelas Redes Sociais?
É verdade que eu acho que não temos o direito de não acompanhar política, uma vez que nosso voto ainda é obrigatório. Entretanto, para acompanhar política, não acho necessário abrir o seu Facebook e dar de cara com fotos e mais fotos e avatares, de candidatos que você nem gostaria de ter visto, porque aquele seu amigo que era apartidário até ontem, foi contratado por uma equipe de campanha e agora ganha para postar a foto do cara que você mais detesta na política nacional na sua Timeline (agora, com essa história de Timeline obrigatória do Facebook, tudo ficou mais exposto ainda). Muita gente ainda abomina qualquer menção ao assunto política, se colocada diante de seus olhos. Assim como eu tenho verdadeiro PAVOR de gente que usa Rede Social para tecer comentários sobre programas televisivos ridículos, mas não posso exigir que meus contatos sejam como eu.  Se o "BBB" e “A Fazenda” deles me incomodam, não é por isso que vou incomodar forçando política goela abaixo de quem se recusa.

- Por que não sair para ações de “corpo a corpo”?
Sou da opinião de que para que tenha uma proposta para assumir qualquer cargo político, o candidato precisa saber o que precisa fazer e o que pode ou não fazer, antes, muito antes de pensar em se candidatar. Ora, ideal não seria que fossem candidatos aqueles que tivessem reais propostas de mandato? Reais propostas de mandato não se constróem nessas visitas de candidatos a locais por eles ainda desconhecidos. É possível ouvir o eleitorado e ter idéias? Sim! Mas a base de sua candidatura tem que ser construída antes do seu registro como candidato. Então, durante a campanha, o trabalho é mesmo de divulgação, na verdade! Não de interação entre candidato e população. Essa, para mim, se faz todos os dias. As minhas propostas, por exemplo, não têm nada de regionais, então, como poderia visitar uma população  de um local específico que ainda nem conheço, e ser sincera ao dizer que vou fazer alguma coisa para aquela população daquele local específico? Parece demagogia, não?

- Por que não divulgar entre aqueles que me conhecem por meus trabalhos sociais?
Porque seria me aproveitar de atos que pratiquei porque o poder público não dá conta de atender às necessidades da população, para divulgar que quero entrar no poder público. Sinceramente? Eu não tenho capacidade (e duvido que qualquer candidato a vereador tenha) de dizer às pessoas beneficiadas por trabalhos de voluntários, que elas vão deixar de precisar de voluntários porque o poder público vai garantir suas necessidades. Não vai! Como eu posso garantir às crianças que já presenteei como voluntária de ação social, que elas vão ter pai e mãe com situação econômica melhor do que têm hoje? Como eu posso ter a pretensão, como vereadora, de garantir igualdade social e erradicação da pobreza? Isso é plano para anos de governo federal aliado ao estadual e municipal. Pode então, um vereador, se valer desse tipo de promessa e esperança? Não acho que sim.


Não! Eu não sou nenhuma espécie de ser humano modificado em laboratório que não pense muitas vezes no próprio benefício. Mas não achei, pelo menos até hoje, válido trair meus princípios colocados acima para garantir uma cadeira no poder. Ainda vou escrever mais sobre o dinheiro envolvido nesses processos, também. Por hora, esclareço que continuarei trabalhando pela melhora do Rio de Janeiro, empossada ou não, durante todos os dias de minha vida. Seria mais fácil trabalhar por isso se eleita? Sim! Sem dúvida. Mas minha paz de espírito estaria tão garantida, se assumisse que são meios para chegar onde gostaria? Nem tanto! Prefiro, se chegar, chegar do jeito que acho mais bonito, ou não chegar!

Agradecendo pelos muitos apoios que venho recebendo, mesmo com todos os obstáculos que acabei impondo à minha própria candidatura, e dizendo por isso que já venci,

Filhinha de Papai

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